31 de julho de 2023

Não gosto de comidas festivas

"Fui numa feira de gastronomia criativa.
Em meio a hambúrgueres de galáxia, sanduíche arco-íris e drinks de algodão doce 
Eu não conseguia decidir o que eu queria
No fim do dia, voltando para casa eu senti fome
E o que eu mais queria era uma tigela pequena de gyudon com arroz"


E com essa pequena reflexão que abro esse post. Eu nunca gostei muito de comidas de épocas festivas, um bife à parmegiana desperta muito mais o meu apetite do que uma ceia e natal que levou o dia todo para ser preparada.

Pra quem não sabe, eu fui no Smorgasburg o maior festival de Gastronomia Criativa do mundo, e realmente a feira era enorme, ocupava uma parte considerável da ponta do Ibirapuera e eu nem tenho certeza se consegui ver tudo, mas de uma coisa eu tinha certeza, eu não conseguiria provar nem 1% das comidas ali.

Se eu estivesse com um grupo de amigos, cada um podia pegar alguma coisa e provar um pouco de cada, porém eu estava sozinha e não consegui me decidir, no fim comprei uma batata frita com cream cheese de limão, estava boa, mas eu não consegui comer tudo.

No fim do dia eu estava voltando para casa, quando senti fome e tudo o que eu mais queria era a menor tigela de gyudon de uma fastfood perto de casa. A carne em fatias bem finas temperada e refogada com arroz branco passa uma sensação de simplicidade e conforto.

Há algum tempo atrás estreou o filme Menu, sobre um chef de cozinha que perdeu a paixão por cozinhar e resolveu criar um Menu mortal para seus últimos clientes, a protagonista do filme consegue escapar após dizer que os pratos requintados do chef não interessavam ela, o chef pergunta o que ela gostaria de comer e ela sabendo que o chef começou sua carreira numa hambúrgueres, pede um x-burguer com batatas fritas, despertando uma certa nostalgia no chef.

Esse filme me fez pensar, se eu fosse morrer amanhã qual seria a minha ultima refeição? Primeiro eu pensei em uma sobremesa feita com frutinhas de beladona, dizem que elas são doces, mas como são venenosas, acho que eu nunca irei descobrir, porém quando eu era criança meu avô nos levava para um restaurante japonês, e eu sempre pedia o mesmo prato kitsune udon. O restaurante fechou e eu nunca encontrei um kitsune udon igual à aquele, provavelmente eu nem me lembro mais do gosto dele direito, mas se eu pudesse pedir qualquer prato sem limitações eu gostaria comer um udon raposa numa noite fria.

Fui assistir Barbie!!

Fui assistir o filme da Barbie e queria falar sobre o filme antes que o hype passe. Como ninguém da minha bolha assistiu o filme ainda, eu não tinha ninguém para conversar sobre o filme, então vou compartilhar com você a minha opinião sobre o filme.

Em primeiro lugar o filme é divertido, e eu gostei bastante ele, porém ele não é tudo isso que as pessoas estão falando. Sim, ele tem várias criticas sobre o machismo, e sim, ele fala sobre feminismo, porém tudo é feito de maneira muito superficial, tudo o que é dito no filme, você encontraria em 5 minutos no Twitter

Quando fui assistir o filme eu esperava duas coisas: Ou o filme seria uma loucura "Life in the Dreamhouse" com um monte de piadas sobre ela ser uma boneca, ou um filme q abordasse o feminismo. Eu meio que recebi os dois... Não me decepcionei, mas acho que poderia ser melhor.

Até o momento que eles foram para o mundo real, o filme tinha um ritmo bom, quando a Barbie começou a ter visões a garota que ela precisava achar, eu pensei que o plot seria sobre uma garota que perdeu a mãe, por isso a Barbie começou a ter pensamentos sobre a morte, e a visão seriam as memórias da garota brincando de boneca com a mãe.

Mais tarde eu pensei que talvez o filme fosse aprofundar a relação de mãe e filha, já que a filha meio que tava cagando pra mãe, enquanto a mãe sentia falta a proximidade que elas tinham quando ela era criança. Isso fica um pouco mais pesado quando você pensa que a mãe começou a ter pensamentos sobre a morte.

Isso tudo meio que foi colocado em segundo plano, como se o filme não quisesse tratar de assuntos mais complexos, ou sérios. Algumas pessoas disseram que o filme era lacrador, feminista, lgbt, etc, realmente ele é, mas pra mim ele poderia ser muito mais

Agora... Imagine se a Mãe da Sasha realmente tivesse morrido e que por causa disso ela não só tenha pensamentos sobre a morte, mas também tenha se afastado de tudo o que parece feminino, pois tudo lembrava sua mãe. 

O filme correria tudo igual até o momento em que a Barbie encontra as meninas na escola e diversos eventos fazem com que ela seja confundida com uma professora o que permite que ela se aproxime não só da Sasha, mas também do seu circulo de amigas. e assim abordar diferentes formas de feminilidade.

Tipo um garoto trans gostar de rosa, mas por ser uma cor feminina tem medo do que os outros vão dizer, uma garota que é muito inteligente, mas tem uma paixão por romances, uma garota que se descobre não binário, e apesar de gostar de vestidos parou de usar pois eles faziam se sentir feminina. Ou uma garota que é tratada como fútil e superficial justamente por ser feminina demais, mas não tem medo de ser ela mesma. 

Eu queria que o filme explorasse essas inseguranças da adolescência e ao mesmo tempo abordasse a relação que diferentes gêneros tem com o coisas femininas, e mostrasse que gostar de rosa não te faz menos homem, usar vestido não te faz mais mulher, romance não te torna menos inteligente, e que ser feminina não te define como pessoa. 

Sei lá, meio que sempre existiu um certo desprezo por tudo o que é "de garotas", principalmente na cultura pop em geral, onde para uma personagem ser forte e respeitada ela deveria se afastar de tudo o que é feminino muitas vezes sendo um clichê de "Eu não sou como as outras garotas". Barbie poderia mostrar que na realidade nenhuma garota é como as outras garotas.

No fim seria muito daora se no final do filme a Sasha estivesse mexendo das bonecas antigas da sua mãe e sua outra mãe aparecesse e contasse que quando as duas eram crianças seus pais nunca compraram o Ken, pois segundo eles, era brinquedo de menino e elas tinham que brincar com brinquedos de meninas, por isso em todas as brincadeiras as Barbies eram lésbicas (Quem viveu sabe)

Mas acho a Mattel nunca teria essa ousadia. 

Enfim, o filme é divertido, eu ri bastante, tem criticas sociais, mas não acho que deva ser levado tão a sério assim, tomara que eu não seja cancelada.

17 de julho de 2023

Porque histórias de terror para crianças são melhores do que as de adultos

 O titulo original desse post seria "Comprei um livro de 300 reais", mas eu queria escrever sobre o meu amor por histórias de terror para crianças.

Eu sempre gostei de histórias de terror, porém eu não sou muito fã de filmes ou de jogos de terror por dois pequenos motivos: Jumpscares e excesso de violência. Sei lá, um filme sobre um serial killer que corta os tornozelos das vitimas para que elas não consigam correr não é algo que desperta o meu interesse, e geralmente nessas historias os criadores se apegam muito a recursos baratos para chocar.

Porém numa história para crianças o autor sofre limitações, ele não pode colocar cenas muito violentas, ou que envolvem assuntos muito pesados, as vezes ele não pode nem matar os personagens, é aí que ele precisa usar a criatividade para criar uma boa história.

Um bom exemplo disso é a animação em stopmotion "Os sustos ocultos de Frankelda" onde em um os episódios, um garoto que não queria fazer a lição de casa é visitado por um duende que promete fazer suas tarefas em troca e seu nome. 

O menino então diz seu nome ao duende e passa o resto do dia brincando e se divertindo, porém quando volta para casa descobre que seus pais estão tratando o duende como seu filho, e não só isso como eles não enxergam mais o menino, o duende então explica que o nome é quem nós somos, se você seu nome a um duende, então agora você se tornou um duende sem nome. 

O garoto então vai até a casa de seu vizinho esperando que um dia possa fazer algumas tarefas de casa em troca de um nome...

Em nenhum dos episódios o protagonista teve uma morte violenta, porém a ideia de ser substituído e nem os seus pais notarem a diferença pode ser um destino pior do que a morte.

Há alguns anos atrás eu fui na biblioteca para passar o tempo e perguntei para uma funcionária se havia algum livro com contos curtos de terror, ela me recomendou um livro chamado "Contos de terror do Navio Negro", os contos do livro eram um pouco mais maduros, os personagens realmente encontravam a morte no fim da história, porém nada muito chocante, um dos primeiros contos é sobre um marinheiro que trabalha em um navio de imigrantes.

Em uma viagem ele conhece uma moça e acaba se apaixonando por ela, conforme os dias se passam o clima do navio se torna estranho, tudo parece meio cinza com exceção da moça, talvez uma doença, ele decide abandonar a vida e marinheiro para viver no continente com sua amada, ele se declara e ela diz que irá apresenta-lo para sua família, nesse momento o marinheiro percebe que todos no navio olhavam para o dois, não só os passageiros, mas a tripulação, cinzas, doentes, e com um par e furos em suas gargantas, ele olha para a moça que sorri com longos caninos antes de dar o bote.

Depois e ler o livro todo, descobri que o autor havia lançado mais dois volumes: "Contos de terror do tio Montague" e "As histórias de terror da entrada do túnel" Cada uma desses livros passando facilmente dos 300 reais na Amazon e nenhum exemplar na biblioteca perto de casa.

Desisti de ler os outros volumes, até que recentemente fui pesquisar e haviam sites vendendo por 70 reais, é claro que não pensei duas vezes antes de comprar. 

Novamente os contos o livro eram muito bons, os meus favoritos foram: "O demônio de madeira" e "A Moldura dourada" e assim como no Navio Negro, há um plot entre um conto e outro.

Nome: Contos de terror do tio Montague
Autor(a): Chris Priestley
Editora: Rocco