20 de junho de 2026

Guia dos Onsens

Como eu disse no meu ultimo post no meu primeiro dia em Hiroshima eu fui para Miyajima pois eu queria ter a experiência de dormir num Ryokan bem tradicional e ir num Onsen afastado da floresta.

Geralmente você não pode tirar fotos no vestiário por razões obvias, mas como eu estava sozinha eu tirei

O dia não estava tão frio mas ventava bastante, principalmente de noite, eu estava com um pouco de medo do final de abril ser muito quente e eu não conseguir aproveitar a água quente, mas de noite era bem friozinho.

Eu estava bem cansada e dolorida da viagem então no momento que eu entrei na água quente foi uma dar melhores sensações da minha vida

" MEU DEUS!! Eu nunca mais quero sair daqui!"

Depois que eu sai e continuei a viagem eu fiquei com vontade de ir em outro, então quando estava em Kuroe e descobri que tinha um perto do local onde eu ia fazer a minha caixa de obento, passei em uma kombini e comprei uma muda de roupa, junto com uma bucha.

Nossa... estava muito bom, mas então eu percebi uma coisa muito triste...

Aquilo não existe no Brasil, então o único lugar q eu poderia viver esse tipo de experiência era ali...

Então a partir desse dia eu comecei a caçar Onsens que ficavam perto do local onde eu estava hospedada (pq eu queria chegar em casa quentinha e de banho tomado ☺️)

Onsens tem uma serie de regrinhas para a sua utilização 

Logo que você chega você deve tirar os sapatos e colocar em um armário trocando por um chinelo da casa 

Depois você paga pelo banho, a maioria dos lugares possuem uma maquininha onde você põe o dinheiro e aperta um botão, mas em outras você pede diretamente no balcão, geralmente você só precisa levar uma toalha, uma muda de roupa caso não queira vestir as mesmas roupas e uma esponja, shampoo, sabonete e condicionador costuma já estar incluído no preço do banho.

Você também pode pagar um valor extra caso tenha esquecido a toalha

O preço do banho varia entre 500 ou 1000 ienes, o que deve dar algo entre 20 ou 40 reais.

Muitos onsens não permitem a entrada de pessoas tatuadas, se a tatuagem for pequena você pode esconder com um curativo, como eu não tenho nenhuma isso não foi um problema para mim...

Depois para entrar no vestiário você precisa tirar os chinelos, e colocar no porta calçados, os chinelos são apenas para andar dentro do prédio, no vestiário você anda descalço, e sim, você precisa tirar toda a roupa antes de entrar no banho

É meio engraçado eu ter ficado um pouco constrangida de fazer isso, já que quando eu ia em piscinas ou fazia natação eu costumava tomar banho nos chuveiros dos vestiários e me vestir na frente de outras mulheres.

Depois de algumas idas você se acostuma e já nem se importa de ficar pelada na frente de estranhos.

Antes de entrar na água quente você deve se lavar nas torneiras do lado de fora elas tem uma ducha manual para você se enxaguar sem problemas, os japoneses costumam se sentar em um banquinho de plástico na frente dessas torneira, o banquinho é um pouco baixo então se você tiver problema nos joelhos ou for muito alto, talvez a tarefa de se agachar seja um pouco complicada, alguns lugares porém possuem chuveiros para tomar banho de pé se preferir.

Outra coisa é que após lavar o cabelo você deve prende-lo de modo que ele não fique caindo na água, é considerado anti-higiênico ficar com o cabelo solto caindo na água 

Por fim uma das regras que me deixou um pouco confusa, a de se secar antes de entrar no vestiário, entende-se que eu então deveria levar a toalha junto comigo para o banho, mas eu não faço a menor ideia de onde as outras mulheres deixavam suas toalhas para que elas não ficassem molhadas, tipo na beira da banheira não poderia ser, pois toda a vez q alguém entrava a água transbordava molhando o chão (que já estava molhado), eu vi algumas mulheres com toalhinhas pequenas sobre a cabeça dentro das banheiras, mas seria ridículo eu equilibrando uma toalha gigante de corpo em cima da minha cabeça dentro da água...


No fim colocava a toalha em cima do espelho da pia que eu usei ou dava um jeito de prender nos apoios verticais ao lado de cada pia.

Miyajima foi o mais caro e o mais chique, mas você só poderia utilizar o onsen se passasse a noite no Ryokan então já estava incluído na estadia

Kuroe eu fui por impulso, nem tinha muda de roupa e acabei comprando em uma kombini ao lado do Onsen, a água era rica em ferro e tinha um cheiro que me lembrava chá..

Em Tokyo eu fui num dos onsens mais baratos, pq eu estava voltando para casa de noite e pensei: nossa... seria muito legal eu ir num onsen, sair de lá, botar um chinelo para não ter q calcar o tênis, ir num restaurante, comer um gyudon e depois voltar para casa relaxada.

E por fim em Naha, Okinawa depois de passar o fim de tarde no mar, passei no airbnb, peguei uma muda de roupa, caminhei até um dos únicos onsens da cidade (Okinawa não tem muitos...) e depois de entrar em uma banheira com hidromassagem, fui para um restaurante comer um lamen quentinho 🥰

Enfim... vou fazer uma lista de coisas que eu sentirei saudade do Japão... onsen é uma delas...

Ps: depois de escrever esse texto eu perguntei para o Gemini e descobri que as japonesas realmente usam o paninho pequeno para se secar e não entrar no vestiário pingando...

13 de junho de 2026

EU FUI PARA O JAPÃO!!!

 Quanto tempo né? O motivo de eu ter passado tanto tempo sem postar, além do fato de eu ter me jogado no mundo das fanfics e não conseguir mais sair é que...

*:・.ೃ࿔.⋆❀° Eu fui para o Japão °❀⋆.ೃ࿔*:・

Eu provavelmente devo ter comentado isso no twitter, mas no geral eu não comentei muito sobre isso pois eu estava com um pouquinho de medo de mal olhado

Eu não sou muito supersticiosa mas é um pouco cômico que logo depois que começamos a planejar essa viagem noticias como tensões entre china e Japão, coreia do norte, erupção no monte Fuji, tsunami em Okinawa começaram a pipocar na minha timeline...


" Acho que quando chegarmos no Japão a primeira coisa q precisamos fazer é pedir desculpa..."

Para piorar o meu voo fazia escala no Qatar, a cada e-mail da companhia aérea eu sentia a minha pressão cair...

No fim deu tudo certo, o monte Fuji não explodiu, meu voo não foi cancelado, e nenhum míssil nem tsunami atingiu Okinawa, eu pretendo contar as minhas experiências aqui no blog, mas eu não sei realmente como vou organizar esses posts de viagem, eu não queria separar por locais pois há uma serie de experiências que eu tive em lugares diferentes, como visitar templos, ir em onsens então não sei se vou focar nos lugares em si.

Mesmo assim eu queria deixar registrado roteiro da viagem, então esse post vai dar um breve resumo dos lugares que eu passei:

Sai de São Paulo e voei até o aeroporto de Hamad em Doha, Qatar.

Depois fui para Tokyo passei uma noite no aeroporto dormindo embaixo de uma ponte e na manhã seguinte voei para Hiroshima onde o roteiro da viagem começou de verdade.

De Hiroshima eu fui para Miyajima onde me hospedei por uma noite em um Ryokan chique, pq eu queria ter a experiência de tomar banho em um Onsen afastado da cidade no meio da natureza.

O lugar era tão chique que eu fiquei um pouco nervosa de ficar lá, me senti o chico bento no shopping. 

Apesar de ser conhecida como o local da primeira bomba atomica, passando alguns dias lá você acaba esquecendo disso, já que Hiroshima é conhecida pelas ostras ostras e o Okonomiyaki, tem barracas e restaurantes em praticamente todo o lugar. 

Cervos e momiji manju também são símbolo muito conhecidos da província, principalmente na Ilha de Miyajima que é cheia de arvores de momiji e cervos (que embora seja proibido alimentar eles, ocasionamente eles podem roubar papeis e comida de turistas...)

De Hiroshima fomos para Kurashiki, Oyawama pois era semana da golden week quando a maioria dos japoneses tira ferias então a hospedagem fica mais cara, por isso ficamos em um local não tão conhecido. 

Enquanto viajava fui postando fotos no grupo da família e meu tio foi postando curiosidades aleatorias dos lugares, que ele provavelmente pegou do Google... 

"Kurashiki é um destino turístico popular na província de Okayama. Originalmente uma vila construída em terra recuperada do mar, mas suas plantações de arroz não se deram bem por ali. Então, eles experimentaram o algodão, o que provou ser uma jogada fortuita. Essas bolas fofas, de alta qualidade, também criaram uma indústria artesanal de sucesso que floresceu e fez com que Kurashiki se tornasse um elo de trânsito fundamental do comércio de algodão de 1573 a 1600."

Achei a informação estranha ja que eu vi várias plantações de arroz enquanto estava no trem...

Em Kurashiki havia uma vila história preservada aos pés do monte Tsurugata, o Kurashiki Bikan Historical Quarter. Embora fosse uma área fortemente comercial, grande parte da arquitetura do período Meiji e Edo foi preservada.

E assim como Hiroshima é conhecido pelo okonomiyaki e momiji, O símbolo de Kurashiki são as Glicínias que decoram tanto as tampas de bueiro quanto o Santuario Achi no topo do Monte Tsurugata.

De Kurashiki fomos para Osaka e... Osaka foi um pouco complicado... pois por ser uma area muito turistica, estava repleto de armadilhas de turista

Logo na rua ao lado do nosso Airbnb havia uma rua repleta de jogos de tiro ao alvo, arco e flecha, e um dos meus favoritos, Sukui que é basicamente um jogo onde você precisa pescar peixes ou bolinhas com uma rede de papel.

Quando eu era criança minha escola tinha forte influência japonesa, então eles faziam esse jogo durante as festas juninas, mas depois que eu mudei de escola eu nunca mais vi em lugar nenhum...

Osaka é conhecida pelo takoyaki, eu estava muito ansiosa para provar, então imagine a minha decepção ao descobrir que diferente dos de São Paulo que são mais sequinhos os de Osaka são bem cremosos por dentro o que me deixou um pouco triste.

Outro símbolo muito famoso em Osaka é o Billiken, o "Deus das coisas como elas deveriam ser", havia uma estatua dele em praticamente todas as lojas que nos passavamos (eu achei ele um pouco assustador), dizem que se você esfregar os pés dele você será agraciado com muita sorte e terá os seus desejos atendidos.

Em Osaka também havia muitos lugares para beber e comer à vontade, não só bebidas alcoólicas mas sucos, chás e refrigerantes, alem de vários bares de yakitori

Eu tirei um dia para visitar Kuroe que tinha uma atmosfera muito parecida com Kurashiki, mais calma e afastada da cidade.

Kuroe é conhecida pela Laca de Kishu, e eu queria muito fazer um workshop para pintar uma marmita de Obento.

Depois fizemos um bate e volta em Kyoto pois eu queria visitar um santuário, e acabei comprando uma quantidade não muito saudavel de objetos feitos com Chirimen, um tecido caracteristico de Kyoto...

De Osaka fomos pata Tokyo onde eu não aproveitei tão bem a cidade pois eu tirei um dia para pegar o maximo de goshuins possiveis, depois comprei um monte de utencilios culinários, Tokyo por ser uma cidade muito grande, assim como São Paulo cada parte dela tem uma característica diferente, talvez eu me arrependa um pouco de não ter visitado Harajuku, Akihabara ou até Nippori, o distrito dos tecidos, mas eu ja estava com dificuldade de fechar a mala.

Finalmente, pegamos um voo para Okinawa e passamos alguns dias em Naha e Motobu, como não poderia faltar nesse post, Okinawa tem um grande carinho por tubarões-baleia e estátuas Shisa (Cães leões guardiões das casas em Okinawa)

Agora... uma observação...

Quando estavamos indo embora, recebemos a noticia que um dos templos de miyajima que tinhamos visitado pegou fogo

É... Talvez a gente deveria pedir desculpas por essa viagem...