1 de julho de 2018

Contos: Justa, Morena e Trêmula

Eu estava sem ideias para o post de domingo sobre contos (sim, estou tentando voltar a rotina). Então lembrei de uma ideia que eu tive esses dias de pegar um conto de um livro e transformar ele em uma peça de teatro.

O conto que eu escolhi foi Justa Morena e Trêmula, do livro Princesas e Damas Encantadas, eu já fiz um post falando desse livro aqui no blog, você pode ver ele aqui. Eu mudei algumas coisas para tornar a peça mais interessante, se você gostar, por favor, diga nos comentários.

CENA COZINHA

Narrador: Era uma vez em uma terra muito distante conhecida como Tir Conal, um rei que vivia com suas três filhas: Justa, Morena e Trêmula. Todos os domingos Justa e Morena pediam vestidos novos para ir na igreja enquanto Trêmula ficava em casa fazendo todo o trabalho domestico.(Entram Morena e Justa)

Morena: Trêmula, (Dá uma volta com o vestido) Veja os vestidos novos que papai nos comprou

Trêmula: (Limpando)São muito bonitos irmãs

Justa: É uma pena que você tenha tantas tarefas para fazer e não possa ir na igreja conosco.

Narrador: A verdade é que as irmãs tinham medo que Trêmula se casasse antes delas, pois ela era mais bonita que as outras duas.

Justa:(olha para o Narrador) É MENTIRA!! Acontece que... é... Nós não temos servos o suficiente no castelo, e você é tão jovem e saudável, algumas tarefas não lhe farão mal. Agora vamos Morena, temos uma missa para ir. (saem de cena)

Narrador:O que poucos sabiam é que entre os servos do castelo, havia uma velha feiticeira que se tornou muito próxima de Trêmula, já que ela passava grande parte do tempo na cozinha.

Trêmula: (Continua limpando enquanto a velha feiticeira entra)

Feitiçeira: Você deveria estar na igreja hoje, ao invés de ficar em casa.

Trêmula: Mas como eu poderia ir? Não tenho roupas suficientemente boas para ir à igreja, e se as minhas irmãs me vissem lá, elas me matariam por eu ter saído de casa.

Feiticeira: Eu lhe darei o vestido mais bonito que alguém já viu. Agora, me diga, que tipo de vestido você quer?

Trêmula: Eu quero um vestido branco como a neve, e sapatos verdes para os meus pés

Feiticeira: (Confusa)Verdes?!

Trêmula:(Inocentemente) Sim, eu gosto de verde.

Feiticeira:Tudo bem querida (A feiticeira veste um manto negro e retira o vestido branco junto com os sapatos) Aqui está, o vestido branco mais belo do mundo e sapatos verde para ir à igreja. Tenho também um pássaro chupa mel que deve ficar no seu ombro direito e um melianto para o seu ombro esquerdo, na porta há uma égua branca como leite com uma sela e rédeas douradas para você montar.

Trêmula: Muito, muito obrigada (Saindo de cena)

Feiticeira:(gritando) Ah! Mais uma coisa. Não entre pela porta da igreja e quando a missa acabar, volte para casa o mais rápido possível.

CENA IGREJA

Morena: (Sentada ao lado de Justa)Você viu como todos estão olhando para os nossos vestidos

Justa: É claro, papai encomendou os vestidos com os melhores costureiros do reino, não há nenhum outro vestido que se compare aos nossos.

Morena: Realmente, tanto é que você conquistou o coração de um futuro rei. Eu não acredito que o príncipe de Emania está apaixonado por você.

Justa: Eu sei, ele não é incrível? Eu acho que ele está prestes a me pedir em casamento.

(Tremula começa a entrar pela porta de trás da igreja e todos começam a olhar para ela)

Morena: Quem é aquela mulher?

Justa: Não sei, não consigo ver, aquele maldito pássaro está cobrindo o rosto dela.

Morena: Você viu o vestido dela? Parece até que ela está vestindo uma fina camada de neve.

Justa: E os sapatos? Eu nunca pensei que sapatos verdes poderiam combinar tão bem com um vestido branco, mas parece tão natural.

Morena: Nossos vestidos nem se comparam com o dela. Onde será que ela o encomendou?

Justa: Parece que a missa está começando, melhor ficarmos em silencio agora, no final da missa nós perguntamos a ela.

CENA MESA DE JANTAR

Feiticeira: (Arrumando a mesa para o jantar)

Trêmula: (Entra carregando o vestido e o estrega para a feiticeira) Novamente, muito, muito obrigada

Feiticeira: (Guardando o vestido no manto negro) Não há de quem minha jovem.

(As irmãs entram falando sobre a mulher misteriosa)

Feiticeira: Vocês tem alguma novidade para contar?

Morena: Temos grandes novidades. Vimos uma mulher maravilhosa na porta da igreja, uma grande dama. Nunca vimos um vestido como aquele que ela usava. Não havia um homem na igreja que não olhasse para ela

(O pai entra e se senta na mesa junto das filhas)

Pai: O que aconteceu hoje para deixar as minhas queridas filhas tão entusiasmadas?

Justa: Papai! Queremos um vestido tão branco quanto a neve!!

Morena: Sim! E sapatos verdes!!!

Pai: E você Trêmula? Não quer nada?

Justa: Tremula prefere ficar em casa, não é mesmo irmã?

Trêmula: Sim, está tudo bem papai, eu não preciso de vestidos novos.

Pai: Tudo bem, Eu irei encomendar vestidos novos para a próxima missa.

CENA COZINHA

Narrador: No domingo seguinte as irmãs de Trêmula saíram para a missa deixando Trêmula sozinha em casa novamente

Feiticeira: (Se aproxima de Trêmula) Não vai à igreja hoje?

Trêmula: Eu iria se tivesse o que vestir

Feiticeira: Que vestido você quer usar?

Trêmula: Eu gostaria de um vestido feito com o cetim mais negro e fino que puder ser encontrado, e gostaria de sapatos vermelhos para calçar.

Feiticeira: (cochicha para si mesma) Nossa, melhorou muito. E de que com você quer que seja a égua?

Trêmula: Quero que seja tão negra e brilhante a ponto de me ver refletida em seu corpo, também quero rédeas e sela de prata.

Feiticeira:( Veste o manto negro e retira o vestido com os sapatos ) Sua égua a está esperando lá fora. (Coloca o pássaro no ombro direito e o melianto no esquerdo). E lembre-se, não entre pela porta da igreja e saia de lá assim que a missa acabar. (Trêmula)

CENA IGREJA

Justa: (Sentada do lado de Morena) Dessa vez estamos do outro lado da igreja, assim mesmo que ela esteja com o passaro no ombro conseguiremos ver o rosto dela.

Morena:(As pessoas começam a se agitar e a falar) Justa, minha irmã, parece que ela chegou

Justa:(Trêmula passa pelas irmãs com o melianto cobrindo o rosto, as irmãs observam sem palavras) Como vamos ver o rosto dela se de um lado ela carrega um pássaro e do outro um melianto?!

Morena: A missa está começando, não se preocupe, assim que a missa terminar nós nos levantamos e corremos até ela.

CENA MESA DE JANTAR

Feiticeira: (Terminando de fazer o jantar quando Trêmula chega e a abraça)

Trêmula: Eu não sei como agradecer por tudo que você fez (Ela entrega o vestido e os sapatos para a feiticeira)

Feiticeira: Você não precisa agradecer minha cara, (Guarda as roupas no manto negro) Agora, venha, sente-se para o jantar, as suas irmãs devem estar chegando.

(Justa e Morena entram, Justa parece irritada)

Feiticeira: Que novidades vocês nos trazem hoje?

Morena: Oh! Nós vimos a misteriosa grande dama novamente, ela chamou a atenção de todos novamente, inclusive do príncipe de Emania, depois da missa ele tentou falar com ela, mas antes que ele ou qualquer um dos homens pudesse dizer qualquer coisa a ela, ela já havia desaparecido.

Justa: O vestido dela nem era tão bonito assim

Morena: Você só está com zangada porque o príncipe de Emania se apaixonou perdidamente pela dama misteriosa

(O pai entra na sala de jantar, mas antes que possa se sentar Justa se levanta e corre até ele)

Justa: Papai, eu quero um vestido negro feito do cetim mais fino que se possa encontrar e quero os sapatos vermelhos mais belos e brilhantes que existirem.

Pai: Querida, você já não tem um vestido de cetim negro

Justa: (Gritando) aquele não tão bonito quanto o da mulher misteriosa.

Morena: Se a Justa vai ganhar, então eu também quero um!!!

Pai: Tudo bem, mandarei um dos servos para a cidade procurar um cetim tão belo e negro quanto dessa tal dama misteriosa.

Narrador: Apesar dos servos terem procurado em varias cidades, nenhum tecido chegou perto de ser tão fino e elegante quanto o do vestido de Trêmula, no fim as irmãs tiveram que se contentar com um vestido parecido com o da dama misteriosa. Por outro lado, a noticia sobre a dama misteriosa correu pelos reinos e atraiu muitos príncipes e nobres que procuravam por uma noiva, naquele domingo, a igreja estaria lotada de jovens da realeza.

Feiticeira: Bem, minha querida, você quer ir à igreja hoje?

Trêmula: Eu iria se tivesse um vestido novo para usar

Feiticeira: Eu lhe darei qualquer vestido que pedir. Que vestido gostaria de ter?

Trêmula: Um vestido vermelho como uma rosa da cintura para baixo, branco da cintura para cima e com uma capa verde sobre os meus ombros, na cabeça eu quero um chapéu com três penas, uma vermelha, uma branca e uma verde, e nos pés, quero um sapato com laços vermelhos nas pontas, branco no meio e saltos verdes.

Feiticeira: (Respira fundo) Tá. (Coloca o manto negro e retira de dentro dele o vestido o chapeu e os sapatos) E que égua gostaria de ter?

Trêmula: Eu gostaria de uma égua branca com manchas azuis e douradas em forma de diamante por todo o corpo, junto com rédeas e um sela de ouro.

Feiticeira:(cochicha para si mesma) misericórdia... Como desejar minha jovem, sua égua está lhe esperando lá fora.

Trêmula: Muito obrigada senhora (sai de cena)

Feiticeira:(suspira) Se alguém perguntar... Vou dizer que dei sapatos de cristal para ela...

CENA LADO DE FORA DA IGREJA

Morena: A missa acabou e a igreja está lotada, tanto que nós nem conseguimos entrar.

Justa: Não tem como ela conseguir passar por essa multidão

Morena: Até o príncipe de Emania está esperando aqui do lado de fora.

Justa: Silencio Morena, Lá vem ela!!!(Apontando para Trêmula que passa correndo)

Morena: Ela já está montada no cavalo e veja o príncipe também! Vamos atrás deles!!

CORTE DE CENA LADO DE FORA DA IGREJA
(Morena e Justa entram em cena enquanto o príncipe e os outros nobres se reúnem em volta dele)

Justa: A dama misteriosa conseguiu fugir novamente

Morena: É, mas o príncipe conseguiu pegar o sapatinho dela antes que perdesse ela de vista.

Príncipe de Emania: Eu encontrarei a dona desse sapatinho e a terei como minha esposa

Outro príncipe: (zangado) Se quiser ter a donzela terá que lutar contra mim antes.

Outros nobres: comigo também, eu também, e eu!!!

Príncipe de Emania: Tudo bem! Quando encontrar a dama que conseguir calçar esse sapato, lutarei contra todos vocês antes de pedir sua mão.

Justa: Você ouviu isso irmã? O príncipe disse que se casará com a donzela que conseguir calçar aquele sapato. Se o sapato servir em mim, então ele irá acreditar que eu sou a donzela misteriosa

Morena: Como vai fazer isso? Vai cortar um pedaço do seu pé?

Justa: Vou!!

Morena: Certo... Você enlouqueceu de vez...

CENA SALA DE JANTAR

Trêmula: (Aparece triste e preocupada)

Feiticeira: O que aconteceu? Por que parece tão triste?

Trêmula: Eu sinto muito, eu tentei sair da igreja o mais rápido possível, mas estava tão cheia e eu acabei perdendo o sapato que a senhora me deu

Feiticeira: (sorrindo) Não se preocupe com isso. Essa talvez tenha sido a melhor coisa que já te aconteceu, acredite em mim.

Narrador: E assim o príncipe de Emania e os outros nobres vasculharam todo o reino em busca da dona do sapatinho, mas nenhuma mulher conseguia calça-lo, para algumas, ficava pequeno demais, para outras grande demais, mas o príncipe não desistiu, dá mais rica, até a mais pobre, todas as mulheres do reino experimentaram o sapatinho, até que eles chegaram na casa de Trêmula e suas irmãs.

CENA SALA 

Irmãs: (cantarolando) o príncipe esta vindo, o príncipe está vindo

Justa:(mancando enquanto anda)É claro que o sapato vai servir em mim!!

Morena: Não! Ele vai servir em mim, e eu nem precisei cortar um pedaço do meu pé

Justa: (mancando) Eu estou vendo esse enchimento na sua meia fedorenta, você acha que eles vão mesmo acreditar nesse truque?

Trêmula: Talvez o sapato sirva em mim!

Justa: Por que diz isso? Você ficou em casa todos os dias. O sapato nunca serviria em você

Morena: É você só vai desperdiçar o tempo do príncipe. (Empurra Trêmula para dentro do armário)

Tremula: Ei! Abram a porta (bate na porta)

Justa: Quieta! O príncipe chegou!

(O príncipe e os outros nobres entram em cena)

Príncipe de Emania: Viemos procurar a dona desse sapatinho

Justa: Sou eu! Sou eu

Príncipe de Emania: Com sua licença...(Tenta calçar o sapatinho) Sinto muito, mas o seu pé é muito pequeno

Justa: Como?! O sapatinho deveria ter servido em mim?!!

Príncipe de Emania: (Se aproxima de Morena) Posso?

Morena: Com prazer alteza (Estende o pé)

Príncipe de Emania: (Tenta calçar o sapatinho) Sinto muito, mas o seu pé é muito grande.

Morena: Não, deve ser a meia que deixou o meu pé maior

Príncipe de Emania: Não há mais nenhuma mulher aqui?

Trêmula: (Batendo de dentro do armário) Eu estou aqui

Príncipe de Emania: O que foi isso?

Justa: É só a empregada que limpa o fogão, ninguém importante.

Príncipe de Emania: Todas as jovens tem o direito de tentar, abram o armario

(As irmãs, derrotadas abrem o armário e deixam trêmula sair, ela calça o sapato que serve perfeitamente)

Príncipe de Emania: Você é a mulher cujo o pé coube perfeitamente nesse sapato, a Dama Misteriosa!!

Outro Príncipe: (Saca a espada) Agora que encontramos a donzela, você terá que lutar contra todos nos se quiser se casar com ela

Príncipe de Emania: (Empunha a espada) Eu estou pronto para o combate!

(Inicia-se um combate de onde o Príncipe de Emania sai vitorioso)

Príncipe de Emania: (Apontando com a espada) Mais alguém deseja me enfrentar?

(Todos os outros nobres se recusam com medo)

Príncipe de Emania: Agora.. (Se aproxima de Trêmula) Qual o seu nome minha donzela?

Trêmula: Trêmula, sua alteza

Príncipe de Emania: Trêmula, você me daria a honra de se casar comigo?

Trêmula: Sim, eu adoraria!!

Narrador: E assim todos viveram felizes para sempre.

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